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29.02.08

O NÁUTICO, UMA GRANDE FAMÍLIA (5)

 

Amigos,

A vez de Nado e Bita

A foto é da final de 65: Náutico 2x0 Sport, Ilha do Retiro.

Náutico tricampeão.

A despedida de Nado em jogos de campeonato.

Em pé: Mauro, Gena, Lula, Gílson Saraiva, Didica e Clóvis.

Embaixo, o ataque das quatro letras: Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala.

Um abraço do

Lucídio

 

      

 

POR LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA




O tempo é o do Hexa. Chegava a vez dos irmãos Nado e Bita. A mitologia nascida da presença de irmãos em um mesmo time do Náutico chegava ao seu ponto mais elevado. Embora fossem apenas dois, metade do que havia sido reunido com o nome Carvalheira nos anos 30, ou com o nome Viana nos 40, a fama dos irmãos Lasalvia tinha alcançado alturas nunca dantes imaginadas.

Juntos, Nado e Bita jogaram no time principal do Náutico de 1962 a abril de 1966. A dupla somente seria desfeita com a ida de Nado para o Vasco. Juntos foram tricampeões (63-64-65), honra que não tinha sido alcançada até então por nenhum outro grupo de irmãos, desde que o profissionalismo passou a dar as cartas no futebol pernambucano. Nado, o ponta-direita, foi convocado em abril de 1966 para servir à seleção brasileira. Ainda pertencia ao Náutico na ocasião. Bita, o meia ponta-de-lança, sagrara-se artilheiro do campeonato dois anos seguidos. E embora já não mais desfrutasse da companhia do mano, seria naquele mesmo ano de 66, mais uma vez artilheiro. Estabelecia assim um recorde em Pernambuco: artilheiro três vezes seguidas. Marca que somente seria igualada vinte anos depois. Um outro alvirrubro, o artilheiro Baiano, seria o autor da façanha. Ficava tudo em casa e em família.

Claro, os Carvalheira ocupam uma posição de destaque no templo dos deuses da bola do nosso futebol. Não cabe estabelecer comparações. São eles o marco inicial da saga que se tornaria tradicional no Náutico. A reunião de dois, três ou quatro irmãos em um mesmo time de futebol. São, e merecem ser, os primeiros a serem lembrados. Por terem jogado juntos anos e mais anos. Por terem sido os pioneiros. Por terem sido campeões em duas oportunidades. Por ser um deles, Fernando, afortunado por ter sido artilheiro-mor dois anos seguidos, o primeiro do Náutico na história do campeonato. E até pelo infausto acontecimento da morte prematura de dois deles, Emídio e Zezé, bem próximas uma da outra, quando os Carvalheira se encontravam no topo da colina. A morte de Emídio, a primeira, aconteceu em outubro de 1940, em plena disputa do campeonato. O título de campeão se encontrava nos Aflitos, conquistado precisamente um ano antes, e Emídio vinha participando regularmente da disputa do campeonato.

Mas com Nado e Bita, estava acontecendo diferente. Até mesmo porque o tempo agora era outro. Tempo do futebol profissional, mais valorizado e bem mais difundido. A presença de Nado na seleção, quebrando preconceitos. Os gols de Bita contra o Santos de Pelé. Quatro gols em um só jogo, na barra adversária o legendário Gilmar dos Santos Neves. A sua ida para o Uruguai, numa transação internacional até então inédita no futebol do estado. E sobretudo, para encurtar o papo,porque a história de Nado e Bita começa, confunde-se e termina com o Hexa.

Os irmãos Lasalvia jogaram juntos apenas metade da jornada, mas é como se tivessem jogado todos os seis anos, de 63 a 68. Tanto é assim, que o que ficou na memória do torcedor, como sendo a linha atacante do hexa, é precisamente Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala... O ataque das quatro letras do saudoso Aramís Trindade. Na hora de recitar o poema, ninguém lembra de China, de Rinaldo, de Miruca ou de Ladeira. E não se trata de gente para ser facilmente esquecida.

No primeiro ano, em 1963, o ataque das quatro letras esteve reunido apenas algumas vezes. Havia China e havia Rinaldo, titulares absolutos. Nado, Bita, Nino, Ivan e Lala, juntos, foram titulares porém, quase diria insubstituíveis, nos dois anos seguintes. A partir daí, depois do tricampeonato, desfez-se porém a ala dos irmãos Lasalvia, desfazendo-se também o ataque famoso. Dos dois irmãos, Bitá é o único que será campeão os seis anos seguidos. Com ele, os outros demais companheiros do ataque: Nino, Ivan Bondi e Lala.

Nado fez partidas memoráveis com a camisa 7 do Náutico. A cada rodada jogava melhor do que fizera na partida anterior. O clímax se deu na decisão do campeonato de 1965, nas duas partidas (2x0 e 2x0) a que ficou reduzida a melhor de três contra o Sport. Era o momento da despedida. As derradeiras partidas oficiais de Nado pelo Náutico.

Bita, por sua vez, se fez famoso pelo número de vezes que mandou a bola para as redes adversárias, recordista com a marca de 223 gols. O maior artilheiro da história do Náutico. E não só pelos números. Seus gols, além de decisivos – os quatro primeiros títulos da história do hexa, em finais contra o Sport, têm a sua marca de goleador implacável – continham o verniz e o brilho que caracteriza o gol chamado antológico.

Assim como Nado não escolhia marcador, Bita também não escolhia adversário ou goleiro. Tanto fazia ser Sport, Cruzeiro, Vasco, Palmeiras, Santos, Santa Cruz ou Central. Era tudo a mesma coisa. Dudinha, Raul Plassmann, Gainete, Valdir Moraes, Gilmar, Valter Serafim ou Detinho... Todos eles, sem exceção, têm uma história para contar aos netos e afins quando o assunto é Bita e seus gols fenomenais.

Nado e Bita eram apelidos. José Rinaldo é o nome que consta do registro de Nado: José Rinaldo Tasso Lasalvia. O irmão Bita, falecido em 1992, recebeu no momento do batismo o nome de Sílvio Tasso Lasalvia. Bita, com 78 gols, e Nado com 15, contribuírem com 93 dos 368 gols marcados pelo time do Náutico em todo o Hexa.

A presença dos irmãos Lasalvia no ataque do Hexa não representa o final da tradição que faz do Náutico uma grande família. É indiscutivelmente porém o ponto mais alto dessa história. A torcida timbu teria ainda, depois de Nado e Bita, a oportunidade de ver em campo, em mais de uma oportunidade, jogadores alvirrubros procurando honrar a camisa que um dia tinha sido vestida por um seu irmão de sangue.

É o que veremos a seguir, na continuação dessa história de tradição e amor por uma camisa.



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